7 Imagens e 7 Perigos reconhecidos por Mário Chagas


Imagem: Mário Chagas
Fonte: Gilson Camargo, 2009.

O texto é de 1996 e ainda vemos traços e presença de vários perigos e imagens citados por Mário. O autor contribui, em uma leitura simples, sobre como o campo da museologia é mais um campo de disputa: de interesse, de poder, do controle sob o patrimônio, sob o conceito de patrimônio e demais processos museológicos.

Mário Chagas inicia comentando sobre como a formação da museologia e dos museólogos está diretamente ligada à uma Imagem Museal, que compreendi como o imaginário do nosso campo de estudo/atuação e, portanto, a contextualização do que nos influencia. Ela seria o "norte do formando" e também o norte de quem nos ensina e de quem trabalha com os aspectos ligados à ela. Muito concordo com ele sobre como a formação profissional tem sim a ver com a Imagem Museal porque ela, a formação profissional, "em nenhuma hipótese ocorre solta no espaço social e no tempo social" (p. 81).

Ele reconhece que essa Imagem está presente sempre, mas não é algo fixo, imutável, ela é "variável, fluída e cambiante(p. 81). Muito dessa mudança é resultado de acontecimentos do campo museológico e do empenho e trabalho dos professores dos cursos de graduação. Chagas é irônico mas certeiro no ponto em que diz que caso não haja essa continuidade e adaptação, pesquisa e internacionalização de novos conceitos, as instituições de ensino serão responsáveis pela "colocação no mercado de trabalho de profissionais recém-formados e, no entanto, atrasados em pelo menos 20 anos".

Dentre muitos excertos do texto, um que tem minha especial atenção remete à centralização no objeto por parte dos museólogos. Mário considera a sacralização do objeto, idolatrar o objeto é um obstáculo, que resulta em estudos ou estudantes distantes das ciências humanas e "tende, por outro lado a ocultar o fato de que o homem é a gema de todo e qualquer museu e que, sendo ele o criador, o conservador e o transformador de bens culturais, para ele os serviços museológicos devem ser orientados" (p. 87).

Como meu primeiro contato com Mário Chagas foi presencialmente, vendo sua atuação como ouvinte do 7º Fórum Nacional de Museu, e depois como participante do evento, fiquei contente por ter lido esse texto e fiquei ainda mais intrigada para leitura do livro que comprei de autoria dele:


O título "A Imaginação Museal", pra mim, aponta sobre como tema é profundo e muito importante para poder transformar o que se vive na museologia. O livro foi publicado em 2009 e discorre sobre a Imaginação Museal em diferentes épocas do Brasil em 257 páginas. A conexão entre os temas da museologia é muito evidente para mim, pois me dei conta de como a Imaginação Museal afeta as políticas de aquisição e descarte, muito importante no caso de outro livro que li para um seminário: A Fabricação do Imortal (em breve com resenha aqui).


Referências: CHAGAS, Mario. A formação do Museólogo: 07 imagens, 07 perigos. IN: ____. Museália. Rio de Janeiro: JC Editora, 1996.

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