Memória viva - Bairro Petrópolis e Porto Alegre



Imagem: Entrevistando o Seu Rolf.
Fonte: Lubianca Weber, 2017.

Último encontro para realizarmos entrevistas com moradores do Bairro Petrópolis para o projeto final da disciplina de Museu, Patrimônio e Cidade. Hoje pudemos conversar com o seu Rolf, enquanto o outro grupo entrevistava e conhecia a Professora Marília. Depois, gravamos os depoimentos da Professora Zita e do nosso colega Máximo para complementar o vídeo final.

O encontro de hoje foi muito emocionante e muito rico em informações, pois seu Rolf, além de muitas recordações, tem muito material físico inédito, fotos do acero pessoal da família sobre a construção da sua casa, a planta e planejamento da construção, gravação do áudio que o bonde fazia no seu trajeto, recortes de jornais, e mais materiais que ele não pode trazer. Senti que ele é muito ligado às experiências que viveu, tanto que se preocupou em fazer parte do último trajeto do bonde, a sua última volta para o centro de Porto Alegre.

Ouvimos com deleite sobre como a comunidade em torno da caixa d'água foi presente na vida dele, como a vizinhança foi crescendo e como ele foi aumentando o grupo de amigos. Seu Rolf nasceu em 1948, desde o nascimento morou no Bairro Petrópolis até o ano de 2012, quando a casa foi derrubada. Mas, importante dizer, derrubada, e não demolida, por seus cuidados. Ele desmontou as janelas, as venezianas, os tijolos muito antigos e pesados. 


Imagem: Seu Rolf e suas anotações.
Fonte: Carmen Brunel, 2017

Ele teve o carinho e cuidado de anotar o que ele considera importante para ser dito sobre o Bairro e nos deu ricas informações sobre o espaço do bairro e suas transformações. Ele se emocionou quando contou histórias sobre seus pais e parece que nesses momentos, a ideia de patrimônio e memória se mostra tão forte, tão importante para as pessoas: porque foi contando sobre o terreno da casa, a construção, a caixa d'água, o bonde, a igreja, o casamento dos pais, que ele reminesceu a própria trajetória, junto com a trajetória de outros na qual ele não estava presente, mais foi contado à ele. 

A memória dele vai além do Bairro Petrópolis, ele viveu Porto Alegre: estudou no Colégio Farroupilha, frequenta a Igreja Luterana no Centro Histórico de Porto Alegre, viu a mudança por todos os lados.

Achei muito impressionante e me tocou o fato de ter tido um avô que contava tantas histórias, e que tinha muito mais guardado, mas que nunca gravamos isso, eram conversas informais e que foram ficando agora na memória do meu pai. A casa que antes eu passava os invernos em Santa Rosa já não é nossa, e o que ficou por lá, ficou.

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