Visita à Reserva Técnica do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul
Foto: Prédio atual do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM).
Fomos recebidos pela museóloga formada pela UFRGS que trabalha na reserva técnica e ela, com uma empolgação contagiante e amor à museologia à flor da pele nos mostrou os espaços, o sistema, nos contou a história de formação do MUHM e sobre itens importantes, itens raros e itens curiosos da reserva.
Neste ano, 2017, o MUHM comemora dez anos de abertura. Este novo museu começou como consequência não programada de um projeto, Memórias da Medicina. O projeto tinha cunho de preservar a memória imaterial dos médicos, por via de entrevistas e relatos orais, em vídeo. Mas, como vemos na Teoria do Objeto e em demais disciplinas, a memória é ativada também por objetos e eles carregam consigo um sentido próprio. Os médicos e familiares de médicos influentes do Rio Grande do Sul, ao participarem do projeto, apontavam os itens que guardavam e que selecionaram para representar um recorte de tempo, espaço, vida. Foi assim que inciou o acervo do MUHM, com o desejo de garantir um espaço de preservação e conservação desses itens que sobreviveram ao tempo nas casas das pessoas.
Hoje, o acervo do museu se divide em três grandes seções: acervo arquivístico (e aqui subdivide-se em pessoal e histórico, no caso, do SIMERS), acervo bibliográfico e acervo tridimensional. Do arquivístico, constam cerca de 5 mil itens; também são cerca de 5 mil livros que constituem o acervo bibliográfico. De itens tridimensionais, até o dia da visita, o MUHM tinha exatos 3.014 itens.
Foi muito interessante ver um espaço tão organizado. O prédio, que não é o mesmo que o próprio MUHM, tem uma seção de recepção dos objetos, uma sala de organização e higienização, uma outra sala com materiais químicos de higienização e com ferramentas para “estocar”, no sentido de deixar o item protegido. Há uma sala para a quarentena, que é onde ficam os objetos que precisam cuidados especiais e consultas sobre estado constantes para verificação se podem compor o acervo do museu ou não. Um exemplo disso é o baú da primeira mulher a se formar em Medicina, Rita Lobato, que se encontra em "quarentena" por conta da segunda tentativa de exterminar os cupins.
Após essa parte, há a sala do acervo arquivístico. Como foi minha primeira visita a um espaço assim, para mim, admito que fiquei surpresa a notar (realmente sentir) um clima diferente: ela é selada, com temperatura e umidades controladas. Assim também é a biblioteca e a sala dos itens tridimensionais, mas cada um com temperatura e umidades diferentes. Da parte do acervo bibliográfico, notei que os livros não tem identificação nas lombadas, como estou acostumada. Não sei dizer se isso descaracteriza o espaço como uma biblioteca, mas imagino que no mínimo seja mais difícil de encontrar os livros. Eles estão muito organizados em um sistema, e os assuntos e autores estão subdividos em estantes e prateleiras. Na sala do acervo tridimensional a museóloga nos mostrou como eram feitas as etiquetas de identificação e como são as novas, que estão substituindo as antigas. Além disso, há um sistema de cores e números para facilitar o conhecimento sobre o que há em cada caixa. Pela segunda vez vi um dos itens mais desejados em reservas técnicas, o armário móvel (acredito que o termo específico aprenderei mais pra frente).
O Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul é de caráter privado, e mantido pelo Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul. Acredito que de mais importante que absorvi dessa visita técnica foi a importância do Plano Museológico e do Termo de Doação, que explica os termos de aquisição e descarte do MUHM. Sem, esses documentos, o Museu fica à mercê de qualquer doador e objeto, pois não tem documento que prove o motivo de aquele objeto fazer, ou não, parte do interesse do museu. Além disso, ele também deixa claro que não é obrigatória a exposição do objeto no MUHM, algo bastante procurado por doadores. Esses documentos tiram o caráter de depósito que alguns museus parecem ter.
Outro aspecto importante é o sistema do MUHM. Ele é feito e mantido pelo suporte técnico do SIMERS. Feito quase que sobre medida, ele atende às necessidades dos colaboradores e do museu. Antes, ele havia sido projetado para abarcar somente informações dos objetos tridimensionais, mas, pela demanda, as informações sobre os acervos arquivístico e bibliográfico agora encorparão o sistema.
Um presente pra fechar com chave de ouro essa visita técnica: o livro de comemoração de 10 anos do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul, lançado pelo IBRAM, para todos os alunos!
Visitarei o MUHM e levarei o pessoal interessado nele, sim ou com certeza?
Fomos recebidos pela museóloga formada pela UFRGS que trabalha na reserva técnica e ela, com uma empolgação contagiante e amor à museologia à flor da pele nos mostrou os espaços, o sistema, nos contou a história de formação do MUHM e sobre itens importantes, itens raros e itens curiosos da reserva.
Neste ano, 2017, o MUHM comemora dez anos de abertura. Este novo museu começou como consequência não programada de um projeto, Memórias da Medicina. O projeto tinha cunho de preservar a memória imaterial dos médicos, por via de entrevistas e relatos orais, em vídeo. Mas, como vemos na Teoria do Objeto e em demais disciplinas, a memória é ativada também por objetos e eles carregam consigo um sentido próprio. Os médicos e familiares de médicos influentes do Rio Grande do Sul, ao participarem do projeto, apontavam os itens que guardavam e que selecionaram para representar um recorte de tempo, espaço, vida. Foi assim que inciou o acervo do MUHM, com o desejo de garantir um espaço de preservação e conservação desses itens que sobreviveram ao tempo nas casas das pessoas.
Hoje, o acervo do museu se divide em três grandes seções: acervo arquivístico (e aqui subdivide-se em pessoal e histórico, no caso, do SIMERS), acervo bibliográfico e acervo tridimensional. Do arquivístico, constam cerca de 5 mil itens; também são cerca de 5 mil livros que constituem o acervo bibliográfico. De itens tridimensionais, até o dia da visita, o MUHM tinha exatos 3.014 itens.
Foi muito interessante ver um espaço tão organizado. O prédio, que não é o mesmo que o próprio MUHM, tem uma seção de recepção dos objetos, uma sala de organização e higienização, uma outra sala com materiais químicos de higienização e com ferramentas para “estocar”, no sentido de deixar o item protegido. Há uma sala para a quarentena, que é onde ficam os objetos que precisam cuidados especiais e consultas sobre estado constantes para verificação se podem compor o acervo do museu ou não. Um exemplo disso é o baú da primeira mulher a se formar em Medicina, Rita Lobato, que se encontra em "quarentena" por conta da segunda tentativa de exterminar os cupins.
Após essa parte, há a sala do acervo arquivístico. Como foi minha primeira visita a um espaço assim, para mim, admito que fiquei surpresa a notar (realmente sentir) um clima diferente: ela é selada, com temperatura e umidades controladas. Assim também é a biblioteca e a sala dos itens tridimensionais, mas cada um com temperatura e umidades diferentes. Da parte do acervo bibliográfico, notei que os livros não tem identificação nas lombadas, como estou acostumada. Não sei dizer se isso descaracteriza o espaço como uma biblioteca, mas imagino que no mínimo seja mais difícil de encontrar os livros. Eles estão muito organizados em um sistema, e os assuntos e autores estão subdividos em estantes e prateleiras. Na sala do acervo tridimensional a museóloga nos mostrou como eram feitas as etiquetas de identificação e como são as novas, que estão substituindo as antigas. Além disso, há um sistema de cores e números para facilitar o conhecimento sobre o que há em cada caixa. Pela segunda vez vi um dos itens mais desejados em reservas técnicas, o armário móvel (acredito que o termo específico aprenderei mais pra frente).
O Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul é de caráter privado, e mantido pelo Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul. Acredito que de mais importante que absorvi dessa visita técnica foi a importância do Plano Museológico e do Termo de Doação, que explica os termos de aquisição e descarte do MUHM. Sem, esses documentos, o Museu fica à mercê de qualquer doador e objeto, pois não tem documento que prove o motivo de aquele objeto fazer, ou não, parte do interesse do museu. Além disso, ele também deixa claro que não é obrigatória a exposição do objeto no MUHM, algo bastante procurado por doadores. Esses documentos tiram o caráter de depósito que alguns museus parecem ter.
Outro aspecto importante é o sistema do MUHM. Ele é feito e mantido pelo suporte técnico do SIMERS. Feito quase que sobre medida, ele atende às necessidades dos colaboradores e do museu. Antes, ele havia sido projetado para abarcar somente informações dos objetos tridimensionais, mas, pela demanda, as informações sobre os acervos arquivístico e bibliográfico agora encorparão o sistema.
Um presente pra fechar com chave de ouro essa visita técnica: o livro de comemoração de 10 anos do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul, lançado pelo IBRAM, para todos os alunos!
Visitarei o MUHM e levarei o pessoal interessado nele, sim ou com certeza?



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