Comentários sobre artigos de Comunicação em Museus - Parte II

Museu em Guadalaraja, México, 2015.

Esse post é a minha segunda resenha dos 3 textos debatidos na disciplina de Comunicação em Museus que comentei na Parte I. Eu preferi os artigos da primeira resenha, mas esses daqui também trazem ótimas pesquisas e considerações. Espero que gostem :)



Resenha II - Comunicação em Museus

O texto de Alexandre Matos, mesmo que curto, traz uma reflexão essencial sobre a comunicação dos museus no mundo digital: há de se realizar uma estratégia comunicacional, primeiro, para saber o que se quer transmitir, segundo, o que se almeja com a comunicação no meio virtual, em terceiro, qual é o público a ser impactado por essa comunicação e, depois, realizar a análise do que foi alcançado. Essa avaliação só pode ser feita se a estratégia for estabelecida com clareza; a análise guiará futuras ações comunicacionais e pode inclusive intervir nas atividades físicas do museu, uma vez que pode-se compreender seu público e sua demanda.

Também com o intuito de promover a reflexão, o autor cita algumas opções do que pode ser informado nas redes sociais - como serviços, horários, informações das exposições, etc. - mas atenta-se ao fato de que as plataformas possibilitam um leque de opções de interatividade muito maior do que disponibilizar dados e informações sobre o que acontece no museu (físico). A interação entre público, coleções e museu pode ser em forma de vídeos, enquetes, acesso a coleções online (MATOS, 2013). O autor não se estende quanto a isso, mas realizando buscas em alguns museus (Museu de Antropologia Nacional do México, Museu Australiano, Museu Britânico e Museu Van Gogh), pude notar exemplos: haviam fotos de coleções, vídeos sobre exposições passadas (porém com foco maior em difundir conhecimento sobre o acervo do que uma reportagem sobre público visitante), fichas catalográficas, lives no Facebook de palestras e entrevistas, etc.

A interação que MATOS (2013) comenta, pode ser melhor compreendida a partir do texto “Curtir, compartilhar, comentar: trabalho de face, conversação e redes sociais no Facebook” de Raquel Recuero. As possibilidades de interação são aprofundadas pela autora na rede social Facebook. Na época em que o artigo foi escrito, existiam as opções “curtir, compartilhar e comentar” e Recuero se debruça sobre estes tópicos, nos informando, através de análise de pesquisa qualitativa, o que usuários da rede social consideram que estão fazendo através das ações virtuais. “Curtir”, seria demonstrar aprovação, reconhecer que mereceu a atenção do usuário, algo interessante; “compartilhar” é considerado pela maioria como o intuito de promover o autor original, mostrar-se de acordo, porém em muitos casos, pode-se compartilhar criticando a postagem, portanto a ação não se limita à aprovação. O “comentar” seria a ação que mais demanda comprometimento do usuário, pois é mais passível de crítica e represálias. Como conclusão, o risco da interação é maior nos comentários, e deve-se ter uma análise deles (RECUERO, 2014).

Portanto, há de se pensar que, como instituição, o museu deverá ter estratégias comunicacionais. O conjunto de métodos determinará como ele agirá em relação aos possíveis cenários de interação com usuários. Sites, páginas de Facebook, perfis em Instagram, no Twitter e demais não devem ser somente alimentados com informações, Lilian Rosa, na conversa do seminário, exemplificou isso, e reforçou: a interação deve ser maior (a promovida pela instituição), e será maior por causa dos usuários e seguidores (a tendência de comentários, curtidas, reclamações, compartilhamentos). 

Lilian exemplificou, com casos mais próximos à nós, a ideia de estratégia e comunicação institucional no meio virtual. Uma análise citada que considerei importante é o estudo da quantidade de críticas negativas nos comentários de postagens e ter uma margem de aceitável (a instituição se comprometia a mudar ações ditas “físicas” e internas); o estudo exigiria no mínimo um profissional da área focado somente neste âmbito, numa ação comunicacional trabalhosa.  Além disso, ela comentou sobre como as redes proporcionam adaptação ao que a instituição tem a oferecer: quanto mais recursos humanos e financeiros para investir na comunicação na Internet (ou web), melhor; mas caso não seja possível ter uma equipe ideal, como na realidade dos museus brasileiros em sua maioria, as redes podem ser utilizadas minimamente como forma de comunicação e conexão da instituição com a comunidade da qual faz parte, ter em sua rotina de trabalho o responder aos comentários nas redes, organizar uma pequena agenda de publicações, por exemplo.

O segundo texto de Recuero, “A rede é a mensagem: efeitos da difusão de informações nos sites de rede social”, aborda diversos conceitos; dentre eles, a de “nós pobres” e “nós ricos”, diferenciado pela relevância dos conteúdos e atribuição reconhecida de importância no seu meio. É interessante, pois a autora afirma que os atores que fazem parte dos “nós pobres” é que dão visibilidade ao “nó rico”, e o impacto do segundo é maior justamente porque sua rede é maior. Segundo a autora, a filtragem realizada nas redes permite uma transferência de informações que não aconteceria nos meios tradicionais de comunicação. 

Recuero conclui que as redes são extensões nossas e de nossos sentidos. Para uma instituição museológica vê-se que a atenção dedicada a seu acervo, público e gestão deve abordar de maneira equivalente a atenção das suas redes sociais. Obviamente não sobrepô-la às demais, mas reconhecer sua função para o museu e, principalmente, as possibilidades que elas oferecem para o museu realizar sua própria função com a sociedade.


Referências

RECUERO, Raquel. A rede é a mensagem: efeitos da difusão de informações nos sites de rede social. Disponível em http://www.raquelrecuero.com/arquivos/redemensagem.pdf    

RECUERO, Raquel. Curtir, compartilhar, comentar: trabalho de face, conversação e redes sociais no Facebook. Verso e Reverso, XXVIII(68), p. 114-124, maio-agosto 2014. 

MATOS, Alexandre. Estamos ligados? Museus e redes sociais, Informação ICOM.PT, série 2 n, 21, jun-ago 2013.

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