Metodologia do estudo: a leitura das propostas de Michel Beaud em "A arte da tese"
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| Biblioteca de México José Vasconcelos, site Urban 360. |
Mesmo que eles estejam fora de contexto no aspecto tecnológico das dicas, pude aproveitar bastante os insights dos autores e, para mim o mais importante, ter ideia de como começar pesquisas e ter um método para isto. Neste post, falarei sobre o livro A Arte da Tese, de Michel Beaud, de 174 páginas, editado pela Bertrand Brasil, e em um próximo, sobre A história continua, de Geroge Duby.
O livro é estruturado em 39 capítulos curtos, que conferem um tom de Guia Prático ao livro, já que cada um é direcionado a um processo específico da construção de tese de doutorado (mas que pode ser adaptada para todas as construções de pesquisa e escrita acadêmica na área das humanas). E, realmente, A Arte da Tese funciona como um guia a ser consultado: o autor é bem objetivo, apresentando exemplos fáceis de entender e, inclusive, testes para que o/a leitor/a reflita sobre sua problemática de pesquisa, seus objetivos acadêmicos e seu potencial como pesquisador/a.
Gostei bastante de um trecho logo no princípio do livro no qual Beaud (19977) define uma boa tese (p.13, grifo meu):
“Uma boa tese, uma boa pesquisa implica equilíbrio entre teoria e empirismo.
Não há pesquisa sem questionamento. Não há questionamento rigoroso sem aparelho conceitual, sem ‘instrumentos ideais’, sem reflexão teórica e, portanto, sem um bom conhecimento das diferentes abordagens, das diferentes interpretações teóricas já produzidas, e reflexão crítica sobre elas. (...) Não há pesquisa sem método (...) É preciso método para a reflexão teórica, assim como para o trabalho empírico (entrevistas, estudos de uma realidade social), para o trabalho sobre fontes (estatísticas, arquivos, textos, discursos) e para fazer uso do computador. (...) Enfim, é preciso adotar métodos em cada fase do trabalho de pesquisa: exploração, documentação, pesquisa de campo propriamente dita e redação.”Este trecho (que ilustra também como é o restante do texto) me fez refletir sobre a organização e o planejamento que devo ter em relação a toda minha graduação. Há de fazer as atividades pensando sobre elas, não só executando; é mais proveitoso eu reconhecer meus passos ao longo do caminho para que eu saiba como cheguei onde quer que eu chegue, saber também voltar aos textos e pesquisas, às aulas e recorrer aos professores com propriedade. Acredito que esta seja a palavra-chave: propriedade. Porque tendo métodos, sabendo o que se faz, estruturando leitura e escrita, se tem propriedade sobre seu conhecimento.
Sinto que vou revisitar muito meu fichamento, pois as sugestões de organização são importantíssimas para minha trajetória acadêmica, e o livro em si te deixa com uma sensação boa quanto à busca pelo conhecimento.
Compartilho com vocês o link para o meu fichamento completo, com resumo do livro, citações e ideias/questionamentos; mas vale muito a pena ler, principalmente para ir pensando e se organizando para o TCC e pesquisas em geral. <3
À bientôt!
Referência:
BEAUD, Michel. A Arte da Tese: como preparar e redigir uma tese de mestrado, uma monografia ou qualquer outro trabalho universitário. 2ª edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997.

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