Explorando produções de ações educativas no CRIAMUS

Publicações sobre Oficinas do Museu de Ciências Naturais. Fonte: Gabriela Mattia, 2019.

Nossa primeira aula do mês de outubro foi destinada a conhecer os materiais de ações educativas concebidas por diversos museus. Essa coleção está disponível no espaço CRIAMUS, o Laboratório de Criação Museográfica do nosso curso.

As possibilidades são muitas e a leitura crítica das produções e jogos foram importantes para conhecermos detalhes que precisam ser analisados e debatidos antes de se produzir um material. A exemplo disto, temos os próprios livretos do Museu de Ciências Naturais, publicados em 2015. Eles são extremamente completos e específicos, porém na introdução do material, não é explicitado se este material é para uso do(a) professor(a) ou de estudantes, e não há diferentes níveis de apreensão propostos para a oficina. Também não se tem a informação da faixa etária, detalhe que nos chamou a atenção justamente por ser um aspecto muito relevante quando se pensa em ações educativas.

Tivemos contato também com jogos do APERS, do Museu da República e do projeto Monumenta; com informativos do Museu Paulista, e de museus internacionais. Ainda nesta aula, as estudantes foram convidadas a analisar um materail, sob os seguintes aspectos: formato; conteúdo; público destinado; fortalezas e fraquezas.

Fonte: divulgação APERS, 2015.
Eu e a colega Sofia optamos por observar e testar a caixa África no Arquivo (ou, como diz o texto de introdução da caixa, o trocadilho Africano Arquivo). Se trata de um material muito bem formulado. É um jogo de tabuleiro que trabalha as relações entre o continente Africano e o Brasil, principalmente sobre a diáspora e a escravidão. A caixa foi direcionada para o público escolar, mais precisamente turmas do Ensino Básico da rede pública - em 2015 o material foi produzido e distribuído para escolas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e demais instituições de ensino e cultura que desejassem (até acabarem). 

Como pontos a melhorar,  entendemos que o design das cartelas e do próprio tabuleiro poderia ter sido diferente, mais atrativo e com melhor qualidade de impressão, há somente uma opção para acessar o material de apoio e, levando em consideração a rapidez das mudanças tecnológicas, poderia haver outras possibilidades de acesso, não há acessibilidade para pessoas com deficiência e só há uma cópia dos materiais a serem estudados e são dois grupos que jogam. Concluímos que o projeto teve como pontos positivos a relevância da temática, seu formato (que além de tudo possibilitava grande quantidade de jogadores), a dinâmica do jogo (na qual se o grupo erra a resposta se retorna à casa antes de chegar na pergunta que não conseguiu responder, possibilitando diversificação das perguntas até o grupo acertar), a estrutura da caixa que possibilita um transporte fácil, bom material de apoio em CD e ótimas instruções prévias ao jogo.

Além do compartilhamento e análise dos materiais selecionados, a reflexão da aula se deu sobre as diferenças entre linguagem do material e seus objetivos. Consideramos então alguns pontos de extremo cuidado ao se propor um projeto de ação educativa:
. estabelecer objetivos - debatê-los e compreendê-los muito antes da concepção do material e revisitá-los sempre
. com os objetivos, entender para quem se destina o projeto e para quê
. compreender que empréstimos devem conter uma tática para receber feedback sobre o material

Um dia muito proveitoso e de encantamento para as e os estudantes! ♡

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