Semana Acadêmica e pautas relevantes para a Museologia
Fonte: Divulgação CABAM, 2019.
Faço parte do Centro Acadêmico de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia - CABAM. Desde a gestão anterior, propusemos que os eventos e a gestão fosse integrada, sempre buscando temas que perpassassem os três cursos ou que as atividades fossem proveitosas a todos. Este ano, de maneira ainda mais interligada e renovada Semana Acadêmica, a agora intitulada Jornada da Informação ofertou oficinas, visitas técnicas, palestras, rodas de conversa e momento de relaxamento e ócio.
Para além da Oficina de Cianotipia, da visita técnica ao Memorial do Hospital Psiquiátrico São Pedro e da atividade de encerramento, as atividades Pluralidade em Museus: Diversificando Resistências e a Construindo uma jornada na Museologia tiveram grande destaque para mim pela sua atualidade e relação com o curso e cenário político-cultural.
Izis Abreu - que trabalha no Núcleo de Curadoria do MARGS - proferiu a palestra, trazendo conceitos, dados de sua pesquisa dentro do acervo do Museu e atividades que promovem a descolonização do pensamento do senso comum vigente.
Segundo sua pesquisa (e eu concordo, com base em toda a trajetória de leituras da disciplina de História dos Museus e Processos Museológicos), os museus foram criados como produto e dispositivos da narrativa colonial. Narrativa essa que usou-se de uma pseudociência de hierarquização das raças para ganhar/produzir um poder. Poder e dinheiro.
Dessa narrativa vemos raízes profundas e com ideias ainda vigentes e pulsantes na sociedade. Racismo estrutural, machismo, hegemonia e universalização de um conceito de homem - hétero, cisgênero, branco e com dinheiro.
A pesquisa de Izis Abreu buscou compreender de que forma as imagens permanecem (seguindo conceitos de imaginário social, creio eu) e quais imagens estão no MARGS relativas à população negra. Ela conclui: são estereótipos, estereótipos que mostram a população negra em trabalhos subalternos, um fetiche religioso, o corpo da mulher negra de forma hipersexualizada. E a quantidade ainda surpreende: são 1331 obras que retratam seres humanos. Cento e trinta e três obras tem alguma produção que retrata pessoas negras. Todas com o teor exótico (visão colonial).
A palestrante curadora propõe formas de problematização. Sublinhado, em negrito e itálico para ficar na memória. Formas de problematização desse pensamento colonial. Problematizações em todos os âmbitos de instituições (não só museológicas), independente da cor da pele da pessoa que ocupa o cargo de poder e decisão. Em museus, esses âmbitos perpassam desde as políticas de aquisição, a ações educativas, oferecimento de seminários e palestras, atividades de inclusão até a expografia.
Depois, ainda tivemos uma conversa sobre a palestra e como foi impactante ver os ouvintes engajados, se reconhecendo nas dúvidas e descobertas de Izis. De minha parte, fiquei muito agradecida à ela e ao seu trabalho por trazer, em parceria com sua colega que pesquisa a representação de mulheres no MARGS, essas pautas tão relvantes para um dos principais museus do Rio Grande do Sul. Pautas essas que trabalhamos muito na disciplina de Museus e Diversidade Cultural e em uma aula posterior à Jornada da Informação na disciplina de Educação em Museus.


Comentários
Postar um comentário