Alfabetização científica: o que é? como a usamos em instutições museológicas?
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| Foto: Apresentando materiais na Brincando de Cientista. Fonte: Sofia Perseu, 2019. |
Quando penso em alfabetização, relembro minha primeira série e também o signficado deste momento para mim. Uma das coisas que mais amo é a leitura, este momento em que, munida de ferramentas para decodificar um alfabeto, palavras e seus significados, traço uma linha narrativa que alguém que não conheço escreveu. Dessas linhas narrativas, tenho acesso a perspectivas, mundos, e ideias. Da minha primeira série, recordo as diversas formas de aprendizagem a que fui exposta - minha mãe guardou meus cadernos e tarefas, e muitas vezes os analisei como material de ensino.
Esse foi um tipo de alfabetização. No texto Alfabetização científica e tecnológica e os museus de ciências, as autoras Guaracira Gouvêa e Maria Cristina Leal, trazem uma revisão da literatura sobre os conceitos de alfabetização científica e, somente no final do texto, tentam traçar uma relação com os museus a partir de um estudo de caso.
O texto em si, para mim, não foi bem equilibrado. A abordagem museológica da alfabetização científica não é trabalhada profundamente. Essa relação é tratada como um dever do museu de servir à escola, o que não concordo, baseado em toda discussão que tivemos em sala de aula. Acredito faltou às autoras essa referência de Museologia no artigo.
Como ponto muito positivo, o levantamento dos conceitos de alfabetização científica é muito bem fundamentado e os conceitos colocados em contra-ponto. Conhcê-los e, principalmente, ter acesso a ideia de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), foi muito importante para a criação do Projeto de Educação em Museus e para repensar minha relação com a tecnologia.
Destaco este fragmento do texto (GOUVÊA, LEAL, 2003, P.230):
Ao se inserir a discussão CTS no ensino de ciências considera-se que 'o aluno é um ser social, e a apropriação do conhecimento científico como elemento importante na capacitação do sujeito para o pleno exercício de sua cidadania. O olhar da ciência enquanto parte importante da cultura, que, por direito, pertence ao aluno e por esta razão deve ser a ele devolvida, decodificada, leva a uma outra organização do conhecimento.' (Pierson e Hosoume, 1997, p.89). Realizar este debate 'não significa defender uma ciência do como funciona. A sociedade atual não é apenas tecnológica pelos aparatos e instrumentos que incoporou ao nosso dia-a-dia, mas, principalmente, pela forma através da qual passamaos a ver e interpretar as coisas à nossa volta, as explicações que procuramos dar aos eventos, as profissões de fé que fazemos a cada momento' (Pierson e Hosoume, 1997, p.88).
A partir do texto e dos debates sobre ensino de ciências em museus, penso o quanto será cada vez mais imprenscindível o debate sobre o impacto da ciência. Concordo muito com os autores que explicam que o ensino da ciência vai muito além do ensinar como aparatos funcionam. Isso faz parte, claro, até como introdução ao tema, mas a reflexão sobre os diversos impactos da ciência e tecnologia em nossas vidas é fundamental para o desenvolvimento da nossa sociedade.
Referências
GOUVÊA, g.; LEAL, M.C. Alfabetização científica e tecnológica e os museus de ciências. In: GOUVÊA, G.; MARANDINO, M.; LEAL, M. C. (Orgs.). Educação e museus: a construção social do caráter educativo dos museus de ciências. Rio de Janeiro: Access, 2003. P. 221-238.
PIERSON A HC. HOSOUME Y. O cotidiano, o ensino de física e a formação da cidadania. 1997. In: Atas do I encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências. Porto Alegre: Instituto de Física - UFRGS.


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